Alfabetização na quarentena: como superar os principais desafios?

alfabetização na quarentena

A alfabetização é uma das maiores missões dos professores infantis. É graças a esse processo que os alunos passam a entender e se relacionar com o mundo — e com a linguagem — de uma forma diferente. Só que, no contexto atual, há um outro desafio: a alfabetização na quarentena.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, as aulas presenciais na maioria dos locais foram suspensas e substituídas pelo contato online. Como acontece com qualquer grande transformação, o processo trouxe obstáculos diferentes, mas também carrega oportunidades únicas de aprendizagem para todos.

Se você deseja saber de que modo desempenhar seu papel como professor da melhor maneira nesse cenário, descubra como superar as principais dificuldades!

Um panorama sobre a alfabetização infantil

Ensinar uma turma inteira a ler, escrever, interpretar e reconhecer símbolos diversos não é fácil. Por si só, a tarefa já envolve diversas competências e um planejamento que precisa ser completo, com foco nas maiores necessidades dos estudantes.

Para se preparar corretamente, veja um panorama sobre a alfabetização infantil no Brasil e entenda quais são as principais características!

Quantas crianças têm acesso à alfabetização?

Em 2018, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou um estudo sobre a alfabetização na educação básica. Apesar de a edição mais recente ser de 2018 — a próxima avaliação só ocorrerá em 2021 —, ela usa dados referentes a 2016. Sabendo disso, vamos às informações!

O relatório “Alfabetização no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb)” mostrou que, no ano de referência, havia quase 2,5 milhões de crianças em fase de alfabetização. A maioria demonstrou capacidade de reconhecer informações de textos, números e operações simples, além de fazer a leitura de produções com diferentes finalidades.

No entanto, mais de 54% dos concluintes do 3º ano do Ensino Fundamental não alcançaram um desempenho suficiente na proficiência em leitura.

Qual é a faixa etária em que o processo ocorre?

No Brasil, a educação básica é obrigatória a partir dos 4 anos. Só que, recentemente, houve uma mudança no chamado prazo-limite da alfabetização infantil. Antes, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) definia como limite o 3º ano do Ensino Fundamental para a alfabetização.

Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estipula o 2º ano do Ensino Fundamental para a alfabetização. No ano seguinte, deve haver aprofundamento dos conhecimentos e foco na gramática, por exemplo.

Na prática, significa que a alfabetização acontece, aproximadamente, aos 6 anos para as crianças brasileiras.

Qual é o tempo médio para a alfabetização de estudantes brasileiros?

Como visto, o prazo médio é de 2 anos para que as crianças já tenham algum nível de conhecimento e proficiência sobre escrita, leitura e números. Espera-se que, a partir desse prazo, o foco esteja em aprofundar os conhecimentos.

No entanto, também é preciso considerar que essa atividade se prolonga durante boa parte da vida escolar dos pequenos. Ser alfabetizado não envolve apenas saber ler e escrever, mas também interpretar, conhecer contextos e conseguir aplicar conhecimentos diversos.

Tudo isso demonstra que o processo já era um desafio em condições “normais”. A alfabetização na quarentena se torna mais desafiadora por ocorrer fora do ambiente escolar. Só que, apesar disso, o processo permanece sendo possível.

Muitas dificuldades, na verdade, estão ligadas ao próprio processo de aprender a linguagem e ao uso dela. No papel de professor, você precisa saber que é possível driblar tais empecilhos.

Os principais desafios da alfabetização na quarentena

A quarentena é um período novo para todo mundo, mas que também traz oportunidades de aprendizado e adaptação. Para aproveitar esse momento do jeito certo e contornar as principais dificuldades encontradas, o ideal é conhecer quais são os obstáculos para a alfabetização na quarentena.

A partir desse reconhecimento, fica mais fácil traçar planos de ação para chegar ao desempenho esperado. Pensando nisso, confira quais são os maiores desafios nesse momento!

Falta de maturidade das crianças para acompanhar aulas online

Quando falamos em ensino a distância, a Internet tem um papel fundamental, não é? Graças a recursos como videochamadas e plataformas online, é possível manter a continuidade dos estudos e o contato com parte dos alunos.

O problema é que, pensando na alfabetização, as crianças ainda são muito jovens. Apesar de a nova geração já nascer digital (você que o diga, né?), a dinâmica das aulas online é diferente.

Isso faz com que muitos estudantes não tenham o nível de maturidade necessário para acompanhar as lições e as atividades. E não é só uma questão de interrupção, viu? Isso tem a ver também com a participação e com a integração, que podem ser comprometidas.

Baixa experiência como tutores de ensino por parte dos responsáveis

Outro problema que precisa ser considerado está ligado aos pais e responsáveis. Para começar, é essencial entender que muitos deles atuam em home office e, com isso, têm uma rotina que dificilmente coincide com os horários das aulas. Então, só aí já dá para notar que pode ocorrer uma dificuldade de os responsáveis darem suporte.

Além disso, vale a pena considerar que vários pais não possuem experiência como tutores escolares. Afinal, participar da vida escolar do filho é bem diferente de trabalhar em conjunto com o professor.

Inclusive, é por isso que o homeschooling, no geral, costuma se mostrar desafiador. Em outros países em que há a cultura do ensino em casa, é comum ver responsáveis mais confortáveis com essa função. Só que, por aqui, o desafio costuma ser maior — é essencial se preparar!

Dificuldade em manter um acompanhamento completo

Os professores também não estão livres dos empecilhos da alfabetização na quarentena. Inicialmente, há todas as questões técnicas e de adaptação ao modelo de ensino online. É preciso trabalhar de uma forma diferente, o que pode implicar alguns obstáculos pelo caminho.

No entanto, a falta de contato presencial é um dos maiores problemas. Afinal, isso complica o acompanhamento de cada aluno em relação à performance, às dúvidas e aos desafios particulares.

Quer ver? Em sala de aula, você pode ver se um pequeno tem dificuldade em reconhecer uma letra ou se outro não consegue se lembrar da ordem do alfabeto. Com as aulas online, fica mais complexo captar as reações e entender como facilitar o caminho do conhecimento de cada estudante.

Transformação completa na rotina

Além de tudo, não dá para desconsiderar que a quarentena trouxe mudanças muito sensíveis no cotidiano de todos — inclusive, das crianças. Se já é custoso para se acostumar sendo adulto, para os pequenos o processo pode ser ainda mais complexo.

A escola e o contato com os amiguinhos passam não existir ou ser substituídos por uma comunicação via tela do computador, por exemplo. Há alteração nas relações familiares, trocas de horário e diminuição no convívio social. Ufa, quanta transformação!

Isso pode causar ansiedade, desmotivação ou falta de disciplina nas crianças — e não é para menos, né? Manter algum senso de normalidade e continuidade, mesmo estando tudo diferente, é bem desafiador.

A importância de não postergar a alfabetização

O fato de a alfabetização na quarentena ser desafiadora não torna o adiamento do processo a melhor alternativa. Na verdade, adiar a alfabetização pode ser bastante prejudicial e gerar mais dificuldades que aquelas existentes no momento atual.

Ao reconhecer os motivos para não retardar tal processo, vai ficar clara a importância de se adaptar a essas novas necessidades. Venha conferir por que fugir do adiamento dessa etapa.

Evita a perda de habilidades escolares e de aprendizado

Conforme os pequenos começam a aprender na escola, eles passam a desenvolver diversas competências. Além das habilidades sociais, há as características educacionais. É o caso do aprendizado sobre as letras, o reconhecimento dos formatos e assim por diante.

O problema é que deixar a alfabetização para depois prejudica o desenvolvimento dessas habilidades. Inclusive, pode ocorrer a perda de tais competências já adquiridas, o que exige um retrabalho sobre algo que já estava consolidado.

Pense em uma situação de suspensão de 6 meses de alfabetização. Após um semestre inteiro, existem grandes chances de os pequenos já não se lembrarem de certas habilidades, como juntar sílabas. Embora o conhecimento não tenha sido perdido, será necessário “acessar” novamente o que, antes, estava fresquinho na memória.

Ajuda a impedir que ocorram erros fundamentais na etapa

Ao mesmo tempo, é preciso considerar que o contato com a linguagem e com os números não acontece apenas na sala de aula. Os alunos estão inseridos em contextos de leituras e escrita o tempo todo. Dos textinhos em jogos aos elementos nos desenhos, as habilidades são constantemente trabalhadas.

Ao adiar a alfabetização, toda essa oportunidade de contextualizar o aprendizado é perdida. Além disso, há riscos de algum conhecimento ser consolidado de maneira inadequada, devido à falta de orientação.

É o caso de um aluno que passa a trabalhar o interesse em leitura e escrita. Só que a falta de direcionamento por parte do professor leva à consolidação de conceitos incorretos — e, depois, será preciso desfazê-los.

Previne a desmotivação com o processo

A alfabetização pode ser divertida, dinâmica e interessante. Só que, para isso, é fundamental que haja consistência na atuação. Diante da interrupção das atividades, os alunos podem ficar desmotivados e perder o interesse.

Por causa da falta de continuidade, vai ser mais difícil retornar ao ponto de aprendizado antes da pandemia. Como consequência, pode ocorrer uma sensação de frustração e de ansiedade com toda essa etapa.

Em vez de postergar, por outro lado, dá para manter um ritmo e uma espécie de rotina. Assim, os alunos permanecem engajados, participativos e interessados em aprender.

Reduz os riscos de possíveis atrasos no currículo

Essa não é a questão mais relevante, mas não deixa de ser uma justificativa para não interromper o processo: o atraso do currículo escolar. Como a alfabetização é o passo inicial da educação básica, todos os outros níveis de conhecimento dependem dele.

Com isso, uma interrupção no processo fará com que os pequenos demorem mais tempo até que saibam como ler e escrever. A ideia de “perder um ano”, inclusive, preocupa muitos pais e responsáveis, mesmo atualmente se tratando de uma situação atípica.

Com a continuidade do ensino, o processo pode até demorar um pouco mais que em condições normais. Só que a diferença é que não haverá uma regressão quanto ao desempenho, o que ajuda a chegar ao objetivo desejado com mais facilidade.

O papel dos professores na alfabetização durante a quarentena

Diante de uma situação tão desafiadora, é fundamental reforçar o papel do professor no desenvolvimento infantil. Entender como a sua atuação faz a diferença serve como um estímulo a mais para encarar da melhor maneira tal cenário.

Para entender como deve agir durante a alfabetização na quarentena, veja quais são algumas das suas funções mais relevantes.

Adaptação de atividades para o período

Uma das primeiras questões envolve ser capaz de adaptar as atividades para a nova realidade — mesmo que ela seja temporária. Como ainda não é possível conduzir a mãozinha dos estudantes no desenho das letras, vale pensar em uma atividade de imitar o desenho das letras, por exemplo. Assim, é possível explorar o conceito da caligrafia como desenho, algo com o qual as crianças já estão familiarizadas.

Também é crucial buscar novos modos de dar aulas que sejam envolventes e consigam atrair a atenção de quem estiver do outro lado da tela. Usar recursos visuais, fantasias e muita imaginação faz parte do processo de adaptação do ensino, em busca dos melhores resultados.

Prevenção da sobrecarga nos responsáveis

O papel do professor é insubstituível. Quando falamos em alfabetização na quarentena, isso é ainda mais verdadeiro. Assim, uma das suas funções consiste em evitar que os responsáveis fiquem sobrecarregados.

Não há garantias de que os pais tenham formação específica para orientar os pequenos na alfabetização, certo? Então, é preciso assumir a frente e desenvolver as atividades de acordo com as necessidades reconhecidas por você sobre a turma.

Também é o caso de oferecer suporte para que os pais acompanhem esse processo em casa de maneira ideal. Com isso, todos trabalham juntos, com foco no aprendizado das crianças.

Entretenimento aliado ao aprendizado

A adaptação às aulas online pode ser difícil, especialmente em um primeiro momento e ainda mais quando falamos de uma etapa de alfabetização. É por isso que um dos seus papéis consiste em tornar o processo mais atraente e até divertido.

Utilizar recursos lúdicos e ferramentas descomplicadas faz com que aprender se torne um processo mais simples. Afinal, aprender brincando é uma ótima forma de instigar os pequenos, que ficarão mais comprometidos e engajados.

Uma atividade de ligar os pontos, por exemplo, é bastante interessante para ensinar a numeração e as sequências — e tudo isso de um jeito bem-divertido.

Estímulo à autonomia dos estudantes

Hoje, uma das funções do professor consiste em fazer com que os alunos tenham voz ativa no processo de aprendizado. Já não se trata de ser um “transmissor do conhecimento” e, sim, de criar algo com a colaboração de todos. Na alfabetização na quarentena, isso é ainda mais verdadeiro.

Por isso, é fundamental incentivar a autonomia nas crianças para que o processo ocorra de modo mais eficiente e adequado às necessidades. Contar com a participação de todos, ouvir sugestões e focar no que faz sentido para a turma permite construir um caminho que leva mais longe.

Como promover a alfabetização na quarentena

Agora que você já está ciente das dificuldades e da importância de manter a alfabetização na quarentena, é preciso pensar em como fazer isso. Se, por um lado, certas ações não são aplicáveis, há muitas atividades para desenvolver remotamente e obter um bom desempenho.

Chegou a hora de entender quais são as melhores soluções e como elas devem ser aplicadas. Venha conferir!

Invista na contação de histórias

Difícil mesmo é encontrar uma criança que não goste de ouvir uma boa história, não é? Além de todo o lado emocional e da criatividade que ela oferece, é possível usar a contação de histórias para favorecer a alfabetização.

Durante uma aula online, por exemplo, você pode mostrar livros com letras em destaque e, ao mesmo tempo, apresentar o estilo de escrita. Isso faz com que os pequenos comecem a perceber as características de linguagem e como usá-las, o que ajuda na construção de conhecimento.

Além disso, é interessante pedir que os pequenos contem o que entenderam ou que criem o próprio final. Isso não apenas usa a imaginação, como também favorece a habilidade de interpretar textos.

Desenvolva atividades de leitura

Aproveitar o poder da leitura é essencial na alfabetização, especialmente se ela for feita durante a quarentena. Por isso, é interessante pensar em recursos diversos, como o letramento, a apresentação de sílabas e assim por diante.

Também vale incorporar a leitura de maneira ainda mais criativa e divertida. Passar uma receita de slime para que os pequenos leiam e a façam com supervisão vai ajudar a reforçar os conceitos de alfabetização — e tudo isso de um modo bem interessante e pouco convencional.

Use jogos pedagógicos

Tornar o aprendizado uma brincadeira também envolve utilizar jogos pedagógicos. Mais que serem voltados para a diversão, ainda trazem aprendizados importantes e podem até firmar certos conceitos relativos à alfabetização.

Um jogo da memória, por exemplo, é um ótimo meio de instigar os pequenos a escreverem o nome dos objetos, das formas ou das cores.

Já o teatro divertido libera a imaginação, favorece a expressão e a comunicação e envolve, até mesmo, os estilos de escrita. Uma atividade de matemática para colorir é essencial para mostrar os números de um jeito diferente. Como consequência, é mais fácil atingir os resultados esperados.

Estimule as atividades de escrita

Também é preciso pensar em como fazer com que os alunos desenvolvam a capacidade de se expressar de modo completo. Nesse sentido, um truque consiste em aplicar tarefas voltadas para a escrita.

Usar um almanaque cheio de atividades ou mesmo incentivar a criação de um plano semanal são apenas algumas alternativas que podem tornar a escrita parte da rotina dos pequenos. Ainda é possível associar a elementos para colorir, deixando tudo mais atraente.

Incorpore a rotina do lar nas atividades

Na alfabetização na quarentena, a presença das crianças em casa pode ser usada para promover o conhecimento. O melhor jeito de fazer isso é unir as atividades do dia a dia a novos meios de aprender. Principalmente, essa é uma forma de contextualizar e de aproximar as letras e os números da realidade dos alunos, o que torna o processo mais eficiente.

É o caso de encorajar os pequenos a escreverem, como conseguirem, o nome dos objetos mais próximos. Vale pensar em ações para etiquetar produtos em casa, para copiar a receita favorita, entre outras tarefas afins.

O objetivo é fazer com que as crianças usem aquilo que está ao alcance deles para que o aprendizado se consolide.

Deixe a criatividade fluir

Como uma das suas funções nesse processo é dar autonomia aos estudantes, faz todo sentido priorizar a criatividade para que a alfabetização fique mais atraente. É válido usar diversos elementos, como filmes, desenhos, gibis, animações e muito mais.

É interessante ainda considerar quais são as necessidades específicas dos estudantes, inclusive com foco nas dificuldades e nas preferências. De atividades de colorir a recursos multimídia, não faltarão possibilidades para deixar as aulas bem especiais.

Dê orientações claras aos responsáveis

O contato com os estudantes não é o único ponto relevante para a alfabetização na quarentena. Também é preciso pensar nos pais, já que a continuidade do aprendizado é tão importante. Nesse sentido, é necessário planejar e oferecer orientações completas para os responsáveis.

Depois de passar uma atividade com giz de colorir ou um experimento com desenho, mostre para os pais como eles devem agir. Explique quais são as regras, os objetivos e como estimular as crianças do jeito certo. Assim, a taxa de sucesso se torna muito maior e todos participam do processo.

A alfabetização na quarentena é desafiadora, mas é possível — e a continuidade das tarefas mesmo nesse período é essencial. Com as práticas certas e adaptação à nova realidade, dá para favorecer o aprendizado e criar uma experiência muito positiva.

Para oferecer o melhor aos seus alunos, confira atividades imperdíveis da BIC e torne o aprendizado ainda mais efetivo!

As informações contidas neste material se fundamentam em estudos psicológicos da criança e servem de base para ajudar com o seu desenvolvimento e educação. Os resultados de tais métodos podem variar de acordo com cada criança, pois dependerá de aspectos individuais e sociais.

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