Dificuldades de aprendizagem: o que você precisa saber sobre elas?

Dificuldades de aprendizagem

A vivência escolar é marcada por descobertas, ensinamentos, novas experiências e muitos desafios, não é mesmo? Ela é, sem dúvidas, um período fundamental no desenvolvimento da criança e na compreensão que ela tem de sociedade, cultura e educação. No entanto, alguns garotos e garotas acabam lidando com uma ou mais dificuldades de aprendizagem.

Esse é um problema que, às vezes, começa pequeno e discreto, mas tem potencial de crescer e prejudicar não só o desempenho nas notas e o comportamento no colégio, como também o lado psicoemocional dos pequenos.

Por isso, trouxemos este post para explicar tudo sobre as dificuldades de aprendizagem, desde a identificação delas até as medidas de intervenção que podem ser colocadas em prática para superá-las. Acompanhe até o fim!

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As dificuldades de aprendizagem

As dificuldades de aprendizagem são um problema que afeta e reduz a capacidade de compreensão, utilização e assimilação de novos conhecimentos — tanto durante as aulas na escola, quanto no estudo em casa. Às vezes, esses três aspectos se manifestam ao mesmo tempo, às vezes ocorrem separadamente (só um ou dois deles).

Os três podem ser generalizados — envolvendo qualquer disciplina que a criança estude — ou voltados para uma matéria escolar em particular (que é o mais comum).

Por exemplo, algumas crianças vão muito bem no Ensino Fundamental I. Mas, ao começarem o Ensino Fundamental II, apresentam dificuldade para aprender a língua inglesa. Elas entendem o que é o idioma e a importância dele, mas não conseguem memorizar as regras gramaticais, não se dão bem com a fonética e nem sabem como aplicá-lo em situações da rotina.

Essa é uma dificuldade específica e que tem a ver a com utilização e a assimilação do conhecimento. Outro exemplo: a criança começa um novo ano no colégio e demonstra dificuldade em várias matérias simultaneamente, como matemática, ciências, geografia e história.

O estudante aparenta não acompanhá-las, se sentindo perdido no que é explicado em sala, não conseguindo fazer os exercícios e as tarefas de casa e tendo pouca ou nenhuma referência do que foi repassado pelos professores nas aulas anteriores.

Logo, esse caso é de dificuldade generalizada, em que os três aspectos do problema aparecem — baixa compreensão, utilização e assimilação dos conteúdos.

No entanto, não basta entender do que se tratam as dificuldades de aprendizagem. É preciso saber como elas surgem e se manifestam, as maneiras de identificá-las corretamente e os impactos que trazem para o desenvolvimento infantil.

Como elas surgem?

As dificuldades de aprendizagem são algo momentâneo. Elas ocorrem a partir de algumas situações que a criança vive durante seu desenvolvimento e crescimento. Por exemplo, quando o pequeno não se adapta bem às novas fases da vida escolar, como o início de uma nova série, a troca de escola ou a mudança de turno.

Outro caso comum é quando os garotos passam por problemas específicos, como a sobrecarga de atividades, professores que são muito rígidos ou o uso de métodos de ensino excessivamente complexos, engessados e incompatíveis com a idade deles.

Fora isso, o cenário familiar também pode ser responsável por essas dificuldades. Isso acontece quando os pais fazem muitas cobranças por desempenho, não apoiam os interesses pessoais dos filhos ou não oferecem apoio para tirar dúvidas e ajudá-los a resolver trabalhos e tarefas de casa mesmo quando eles pedem por auxílio.

Para concluir, também há as causas sociais que misturam um pouco de cada uma das três origens anteriores. É o caso do bullying, da comparação constante com os irmãos e primos, a falta de amizades entre os colegas da turma e a baixa identificação e afeição pelos professores.

O que agrava as dificuldades de aprendizagem?

São dois os motivos que agravam essas dificuldades. O primeiro é quando a família e a escola não dão a devida atenção ao desempenho que a criança está apresentando ao longo das etapas, não investigam o que pode estar por trás disso e não buscam orientá-la — mesmo quando as notas e até o comportamento do aluno só se agravam.

Ao contrário, continuam expondo ela a questões sociais, familiares, escolares e de adaptação. O segundo e mais grave é quando o emocional e o psicológico da criança começam a ser afetados por essas dificuldades, a pouca compreensão e empatia das pessoas que as cercam e a falta de reconhecimento pelo esforço que fazem nos estudos.

Não é à toa que tudo isso acaba fazendo com que elas percam o interesse em aprender coisas novas e em se envolver nas atividades da escola. Mas não acaba aí, pois muitos garotos e garotas também começam a desenvolver uma baixa autoestima — o que pode se tornar uma brecha para que eles tenham problemas de saúde graves, em especial a depressão e a ansiedade.

Qual a diferença entre dificuldade de aprendizagem e transtorno de aprendizagem?

Ao falarmos sobre dificuldades de aprendizagem, também temos que mencionar os transtornos de aprendizagem. Isso porque é muito comum ver pessoas achando que ambos são a mesma coisa. E isso não é verdade!

Como já foi dito, as dificuldades surgem por questões sociais, familiares, escolares e/ou adaptativas pelas quais a criança está passando. É por isso que são pontuais e podem ser superadas por completo com algumas medidas de intervenção dos pais e do colégio — como você verá mais a frente no post.

Já os transtornos de aprendizado, por outro lado, são problemas de saúde causados por alterações genéticas e/ou neurológicas nos pequenos. Eles são reconhecidos oficialmente pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na 11ª versão desse material, que é disponibilizada no portal do órgão, é possível ler mais detalhes a respeito da definição clínica. Basicamente, eles se manifestam desde os primeiros anos de vida, antes mesmo dos pequenos começarem a rotina escolar, e dificultam o estudo de todas as matérias.

Ou seja, sempre são generalizados e ainda podem também ocorrer simultaneamente — com outros transtornos e também com dificuldades de aprendizagem. Eles demandam um acompanhamento médico e psicológico para reduzir ao máximo os impactos que geram na cognição, na educação e no desenvolvimento infantil.

Ao todo, existem três grandes categorias de transtorno. São elas:

  • transtornos de leitura (dislexia): que trazem complicações para a pessoa ler, manter o rimo de leitura e compreender o que está escrito nos textos, por mais que eles sejam didáticos, curtos e simplificados;
  • transtorno de matemática (discalculia): que afetam a capacidade de raciocínio lógico e abstrato, o entendimento de fórmulas numéricas e a aplicação de contas em situações do dia a dia;
  • transtorno da expressão escrita (como a disgrafia e a disortografia): que promovem adversidades na capacidade de escrever, fazendo com que os textos não tenham uma estruturação adequada, sejam incompreensíveis por falta de coesão e apresentem muitos erros de ortografia e gramática.
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Como identificar se a criança tem ou não dificuldades de aprendizagem?

Dada a proximidade entre transtornos e dificuldades de aprendizagem, muitos adultos podem ficar confusos sem saber qual o real desafio que a criança enfrenta. Afinal, eles querem ajudar, mas não sabem por onde começar. Portanto, ao perceber que o aprendizado dela está disfuncional, faça uma lista de anotações para identificar:

  • há quanto tempo isso acontece;
  • se é algo que ocorre em todas as matérias ou apenas em uma ou outra;
  • quais os tipos de empecilhos que a criança tem ao estudar, ler, revisar e escrever;
  • como foram as notas dela nas últimas etapas ou mesmo no ano anterior em comparação com o período atual;
  • se houve mudanças recentes ou mesmo atuais pelas quais as crianças passaram (ou seguem vivendo) e quais são elas.

Reunir essas informações é muito importante para encontrar indícios específicos que apontem um problema ou outro. Mas não acaba aí. Isso porque só é possível ter uma confirmação final positiva ou negativa de transtorno de aprendizagem ao fazer consultas com um profissional da área da saúde – nas quais os dados que você levantou serão requisitados e analisados.

É importante dizer que nessas consultas normalmente também são avaliados se a cognição — que envolve processos cerebrais, como memória, atenção, percepção e pensamentos —, e a coordenação motora da criança encontram desafios. Normalmente, quando todas essas causas orgânicas são descartadas pela equipe médica e só há indícios ocasionais/temporários para explicar o porquê de a criança ter dificuldade nos estudos, é confirmado que, de fato, se trata de uma dificuldade de aprendizagem.

Os desafios nas salas de aula

Quando a criança passa por dificuldades de aprendizagem e não é auxiliada pelos adultos para superar esse problema, elas acabam funcionando como uma bola de neve. Pouco a pouco, ela se depara com mais barreiras para ler e interpretar textos, fazer exercícios e resolver questões matemáticas.

Tudo isso gera frustração, raiva e sensação de impotência. Sentimentos esses que vão evoluindo para uma desmotivação contínua com os estudos e a levam a adotar uma postura diferente da que ela naturalmente tem na sala de aula. Afinal, como ela acha que nunca vai aprender ou que não é capaz disso, sente que nada daquilo é relevante.

Daí começa a ficar dispersa e/ou em conversas paralelas com os colegas durante as explicações dos professores e não se engaja com as atividades que são passadas. Também deixa de entregar trabalhos e tarefas, faz de qualquer jeito as provas e, em alguns casos, até se torna mais isolado, desconfiado ou agressivo com os docentes e a turma.

Resumindo: sem se dar conta, a criança entra em um círculo vicioso que só contribui para que as dificuldades de aprendizagem aumentem e permaneçam por mais tempo.

As melhores maneiras de superar essas dificuldades

Como falamos até agora, as dificuldades de aprendizagem são causadas por situações específicas que acontecem na rotina dos pequenos e o principal: podem ser completamente revertidas.

Mas, para isso, é preciso mudar alguns hábitos, adotar certas medidas na relação com ela e ter o suporte de profissionais especializados. Abaixo, você confere quais são os passos para superar essas dificuldades e como colocá-los em prática para ajudar a garotada.

Converse com a criança e conheça a realidade dela

Construa um diálogo com a criança que seja livre de julgamentos e expectativas. Isso é fundamental para que ela se sinta à vontade para falar sobre os problemas que está enfrentando e como eles estão afetando o desempenho escolar dela.

Mostre que ela pode contar com você, pois você a ama e a apoia incondicionalmente. Esse é o primeiro passo para começar a resolver essa situação e tomar outras medidas para ajudá-la nos estudos.

Atente às cobranças por resultados

Estando no papel de educador, a dica é conversar com a família da criança sobre as cobranças por resultados dentro de casa. É importante orientar pais e demais parentes sobre como as dificuldades de aprendizagem requerem incentivo e apoio para serem superadas.

Por exemplo, ao conferir como anda a resolução das tarefas e dos trabalhos que foram passados pelos professores, eles devem ser participativos e solícitos. Eles podem se mostrar dispostos a dar exemplos práticos que melhorem a compreensão da matéria, tirar dúvidas, discutir os conteúdos e até a indicar materiais (como vídeos, filmes, séries e documentários) que mostrem o assunto de forma mais interessante e dinâmica.

Invista em brincadeiras pedagógicas

Muitos pais e professores não sabem, mas o momento de brincadeira das crianças também pode ser aproveitado para estimular o aprendizado e reduzir as dificuldades que elas têm.

Isso porque há atividades (como colorir, contação de histórias e desenhos) e jogos pedagógicos (de memória, combinações e construção) que aumentam o contato dos pequenos com assuntos que eles veem e estudam em sala de aula.

Essa é uma maneira bastante eficaz de trabalhar as matérias escolares porque, devido ao fato de estarem se entretendo, os pequenos apresentam menos rejeição para fazer exercícios e buscar soluções questões e problemas do cotidiano.

Envolva a escola no processo

A escola é um ponto crucial no aprendizado das crianças. É nesse espaço onde elas têm contato com o conhecimento, descobrem fatos históricos, treinam escrita e cálculos e muito mais. Por isso, é fundamental que ela seja não só envolvida na situação, como participe ativamente para ajudar a solucioná-la.

Para tanto, como pai ou responsável, esteja presente nas reuniões com professores. Assim, você pode compartilhar sobre as dificuldades dos estudantes e potenciais soluções que o colégio sugerir para adotar na rotina e assim apoiar e fortalecer a educação deles. Veja algumas delas que já são postas em prática por instituições de ensino:

  • adoção de novas metodologias de ensino nas quais os professores não são a única fonte de saber, mas sim atuam como condutores do aprendizado que estimula a leitura, a resolução de exercícios, as atividades extracurriculares e os debates em sala;
  • criação de programas de transição e apresentação de novas séries, turnos, professores e atividades escolares para deixar a criança mais confortável com as mudanças no colégio;
  • uso de jogos pedagógicos, equipamentos audiovisuais e tecnologias no plano de aulas para torná-las mais dinâmicas, instigantes e interativas;
  • acompanhamento personalizado para a criança com revisões periódicas, aulas de tira-dúvidas e atividades melhor inseridas na realidade do estudante;
  • reestruturação dos métodos de avaliação do desempenho do aluno, saindo do modelo clássico que se centra apenas em provas e utilizando um que, além dos exames, envolve trabalhos em grupo, oficinas e apresentações.

Busque reforço escolar

Em muitas situações, as dificuldades de aprendizagem se tornam frequentes na educação infantil por conta da falta de incentivo quando surgem os primeiros obstáculos. É preciso errar para aprender, pois sem erros não existem acertos.

Por essa razão, uma boa estratégia da escola para mostrar isso na prática é oferecer reforço escolar para ensinar aquela matéria com a qual as crianças têm mais dificuldade.

Essas aulas extras não devem contar com avaliações e metas a serem alcançadas — aspectos da rotina escolar que, muitas vezes, aumentam a pressão sobre os pequenos. No lugar, devem ter conteúdos mais explicativos, dinâmicas, jogos e atividades extracurriculares que tornem o aprendizado mais leve e instigante.

Incentive o acompanhamento psicopedagógico

Cada vez mais há colégios que, por incentivo do corpo docente, contratam psicólogos escolares especializados na área das dificuldades e transtornos de aprendizagem. São eles que ajudam os pais a entenderem mais a fundo como cada problema se desenvolve, quais são os diagnósticos, como podem ser tratados e, em especial, melhorados ou mesmo sanados.

No caso específico das dificuldades de aprendizagem, o profissional desse ramo costuma realizar acompanhamentos para trabalhar as emoções e o estado psicológico da criança no ambiente educacional. O objetivo é evitar que, por conta das adversidades ao estudar, ela acabe desenvolvendo transtornos como ansiedade, depressão ou insônia.

Além disso, o profissional vai investigar as causas do problema quando a criança não expressa ou compartilha o que está acontecendo espontaneamente com os pais ou os professores. Ao contrário, as vezes ela acaba tornando-se mais introspectiva, com baixa autoestima e pouco sociável.

Nessas situações, também é comum que haja encontros com a família — pais, avós, tios, irmãos — para que o profissional entenda como é a dinâmica familiar. A união de escola e família contribuirá positivamente para melhorar a situação.

Para completar, ele também é responsável por realizar atividades e repassar algumas tarefas que os professores devem integrar à rotina de aula. Tudo isso estimula o lado cognitivo das crianças e os incentiva a lidar e superar os desafios escolares.

O que dizem as pesquisas sobre as dificuldades de aprendizagem

Uma pesquisa desenvolvida por psicólogas brasileiras e publicada em 2008 pela revista científica Psicopedagogia, apontou que a faixa etária em que mais são identificados casos de dificuldades de aprendizagem é a de crianças de 7 a 14 anos, principalmente com meninos. Ou seja, alunos que estão no Ensino Fundamental, entre a 1ª e a 9ª série.

Porém, essas dificuldades se destacam, em especial, entre aqueles que estão na 1ª e na 5ª série. Isto é, justamente os períodos que marcam a mudança do Ensino Infantil para o Ensino Fundamental e o início da transição do Fundamental I para o Fundamental II.

Outro dado relevante é que nesses dois períodos também há uma grande concentração de percentuais de reprovação. No 1º ano, a média é de 6,2% de toda a turma. Já no 5º ano, por sua vez, a média chega a 14,2% de toda a turma.

Portanto, é possível dizer que há uma correlação entre dificuldade de aprendizagem e reprovação. Como educador ou pais, é interessante acompanhar estudos como este. Por meio deles, você entende melhor como anda o cenário da educação no país e descobre quais períodos escolares podem demandar um maior processo de adaptação por parte das crianças. Também entende se há um padrão na forma como essas dificuldades se apresentam — baixa compreensão, utilização e assimilação dos conteúdos e assim consegue ter um olhar mais atento junto à seu filho ou alunos.

Como você leu, as dificuldades de aprendizagem são um desafio que muda a rotina das crianças e requer adaptações por parte da família e da escola para ajudá-las nesse momento. Com o devido acompanhamento profissional, suporte escolar e apoio e amor dos pais, elas podem, sim, ser sanadas e ficar de uma vez por todas para trás.

Por isso, fique atento ao comportamento das crianças e siga as nossas dicas para orientá-las e estabelecer uma comunicação de confiança com elas. A partir daí, você poderá melhorar e, inclusive, incentivar cada vez mais a educação delas!

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As informações contidas neste material se fundamentam em estudos psicológicos da criança e servem de base para ajudar com o seu desenvolvimento e educação. Os resultados de tais métodos podem variar de acordo com cada criança, pois dependerão de aspectos individuais e sociais.

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